sábado, março 14, 2009

Convergência - por aqui e pelo mundo

Convergências de mídias é o tema da semana que chega no curso de Comunicação Social / Jornalismo da UFV, onde leciono.

Na quarta, dia 18, recebemos o jornalismo Robson Leite, analista de mídias convergentes do grupo Diários Associados, conglomerado de comunicação que, em BH, reúne o jornais Estado de Minas e Aqui, TV Alterosa, portal UAI e rádio Guarani (mais informações sobre a palestra e o convidado).

Estamos preparando uma mini-cobertura multimídia e espero publicar alguns links aqui no fim da semana.

Coincidência ou não, tirando o atraso na leitura de feeds me deparei com três materiais preciosos sobre convergência - são ótimas leituras preparatórias para o debate (tem algum aluno aí?).

A Ana Brambilla linkou o projeto "Documental Multimedia Redacciones On Line", coordenado pelo argentino Alvaro Liuzzi, que gravou, em vídeo, depoimentos de editores sobre as adaptações das redações jornalísticas em países de língua espanhola. Temas como "El proceso de integración de redacciones", "Cobertura informativa y turnos de trabajo" e "Blogs y contenido multimedia" são discutidos. Um resumo está no vídeo abaixo:




Lá no GJOL Fernando Firmino deixou a dica do recém-lançado livro "Periodismo Integrado - convergencía de medios y reorganización de las redacciones", de Ramón Salaverría e Samuel Negredo. Um dos grupos de mídia estudados é o Estado de São Paulo.

Dá pra baixar o case do inglês Daily Telegraph.

Entre vários textos interessantes, Andre Deak linka outro material de Salaverría (e José Alberto Garcia Alvilés: o artigo La convergencia tecnológica en los medios de comunicación: retos para el periodismo.

segunda-feira, março 09, 2009

Criticando a Enciclopedia (como fazem com a Wikipedia...)

Uma das vertentes principais de meu estudo de doutorado é identificar qual a relação entre processos editoriais tradicionalmente estabelecidos (produção de livros ou jornais, por exemplo) com a dinâmica de produção de textos na Wikipedia.

Por isso, ando lendo alguns coisas de História Cultural - neste momento, O Iluminismo com Negócio, uma pesquisa monumental de Robert Darnton sobre os desdobramentos da publicação da Enciclopédia, obra pioneira coordenada por Diderot e D’Alembert.

Darnton apresenta um documento interessatíssimo - um relatório posterior de Diderot avaliando o projeto que lhe tomou mais de 20 anos e, em 1768, estava prestes a ser relançando por outro editor, Panckoucke.

As críticas que reproduzo abaixo caberiam muito bem na boca dos mais ferrenhos críticos da Wikipédia - mais um sintoma de como os fatos e as discussões se repetem ao longo dos séculos.

Negritei os trechos que me parecem mais "atuais" (que fique claro, não indicam necessariamente minha opinião):

A obra fora prejudicada, explicou, pela mediocridade de seus colaboradores – e apontou seus nomes, juntamente com as vastas seções da Enciclopédia por eles maculadas. Alguns dos colabores eram incompetentes. Outros haviam pago a escritores medíocres. E esses verbetes malfeitos tornavam incongruentes os de boa estirpe. Não existia homogeneidade na qualidade do texto, e a coordenação na alocação das tarefas fora péssima. Assim, temas importantes haviam sido omitidos porque alguns colaboradores que outros os estavam escrevendo, as remissões recíprocas dos eventos haviam sido esquecidas e o texto não fora cuidadosamente relacionado às ilustrações. Diderot não teve papas na língua; a Enciclopédia era caótica: “A Enciclopédia foi um sorvedouro, no qual esses perfeitos trapeiros lançaram desordenadamente uma infinidade de coisas mal digeridas, boas, más, detestáveis, verdadeiras, falsas, incertas, e sempre incoerentes e discordantes”.

segunda-feira, março 02, 2009

Wiki impresso (?!)

Uma característica fundante dos wikis, ao meu ver, é a natureza mutante do conteúdo lá publicado - o que implica, mais do que numa falta de confiança no sistema, na idéia que trata-se de um work in progress permanente como o desenrolar de uma sociedade conectada.

Neste sentido, me chama muito a atenção a ampliação da iniciativa da Wikimedia Foundation e da editora alemã PediaPress, que permitem a edição, a la carte, de versões impressas da Wikipedia. Além do alemão, disponível desde janeiro, é possível agora pedir livros com artigos de seis outras línguas, inclusive português. A primeira experiência do gênero foi em 2008, quando foi editado um livro com os 50 mil termos mais procurados na versão alemã.



A edição e montagem do livro é extremamente simples: o usuário logado, após selecionar os artigos, precisa organizá-los em capítulos e dar nome à publicação. Um arquivo PDF ou ODT é gerado gratuitamente, na hora, ou uma versão impressa sob demanda pode ser encomendada a custos muito razoáveis (pense na impressão de um único exemplar). Um livro de 100 páginas, por exemplo, sai por U$7,99.

Alguns comentários:

- Para Erik Moeller, em post no blog da Wikimedia Foundation, a possibilidade de um texto integrar um livro pode motivar os colaboradores a capricharem mais na apuração e formatação do conteúdo.

- O blog Telephone Issues montou um livro em inglês sobre a União Européia. Os 45 artigos totalizaram 2444 páginas, divididas em 3 volumes. Uma prova concreta da quantidade de informações da versão em inglês. A um preço, repito, razoável: U$80 €80.

- Além da dicotomia impresso-digital, acho que vale pensar em online-offline. Um PDF salvo em um disponível sem conexão pode significar uma leitura em outros ambientes. Mais uma vez, ganha a multiplicação, e não exclusão de formatos. O wiki impresso é mais uma opção e, quanto mais, melhor.

- Uma iniciativa tão interessante quanto que esta é Pediaphon, que gera arquivos .mp3 para qualquer artigo em inglês, francês ou espanhol da Wikipedia.

- Considerando que o software usado na conversão do wiki para outro formato é, evidentemente, livre, é fácil imaginarmos à migração digital-impresso sendo usada, por exemplo, para a documentação final de projetos registrados através de um wiki corporativo - algo promissor em empresas.

Mais alguns detalhes no Futuros del Libro e no Techcrunch.