segunda-feira, outubro 27, 2008

Links no início da semana

Estão aí algumas páginas interessantes que visitei nos últimos dias. Muitas chegaram via Twitter, e acabei não anotando quem repassou. Estarei atento nos próximas vezes.

Wikipedia and the Meaning of Truth - matéria da Technology Review faz uma discussão bem interessante o conceito de verdade na Wikpédia. Verificabilidade é a palavra de ordem, ainda que cause algumas distorções.

Por tabela, descobri um estudo sob vandalismos nas páginas sobre senadores estadunidenses. Em média, seis minutos foi o tempo que o erro esteve publicado, mas alguns permaneceram por dias. Diga-se logo: é um daqueles estudos que pretendem desqualificar a Wikipédia, mas traz dados relevantes.

Twitter, Flickr, Facebook Make Blogs Look So 2004
- matéria da Wired deveria ser lida por todos os "gerentes de marketing" que andam pensando em inovar com um "blog corporativo".

O Andre Deak se meteu num discussão complicada: qual a diferença entre JORNALISMO MULTIMÍDIA, ONLINE, 2.0, JORNALISMO DIGITAL ETC?

Tecnobrega - o Pará reinventando o negócio da música - baixe logo o livro do Ronaldo Lemos e Oona Castro.

Organizações aderem ao "jornalismo de links"
- Matéria do Observatório da Imprensa chamou me atenção para este conceito. Espero voltar ao tema.

Artigo do "Guardian" discute como os jornais lidam com pedidos de apagamento de declarações em seus arquivos (via Novo em Folha).

S.O.B.R.E.T.U.D.O » EMPRESAS e empresas - surpreendente a ação de relacionamento da Net a partir de uma reclamação do Twitter!

Com certo atraso, vale ainda registrar as explicações de Diego Cox sobre a concepção e implementação do projeto amazônia.vc.

terça-feira, outubro 21, 2008

Eleição via internet decide ocupação do Mercado Distrital de Santa Tereza

O destino do Mercado Distrital de Santa Tereza, espaço privilegiado em um dos mais tradicionais bairros de BH, será decidido via internet.

Entre 3 de novembro e 5 de dezembro, todos os eleitores baseados na capital poderão votar nos três projetos culturais apresentados:

- Centro de artes cênicas, com espaço para teatro de bonecos, de rua e circo. Proposta dos grupos Galpão, Giramundo e pela Agentz Produções.

- Mercado Mineiro de Santa Tereza, com manutenção dos atuais feirantes e bares, promoção de eventos e uma incubadora de empresas de artes e espetáculos. Proposta da Associação dos Moradores do Bairro.

- Centro de artes, cultura e tecnologias socioambientais, com auditórios e espaço para programas sociais. Proposta do Tambor Mineiro, Mundo Mico Coletivo de Artistas, Instituto de Ensino Tecnológico (Ietec) e Lume Estratégia Ambiental.

Mais informações em matéria do Estado de Minas.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Curso online sobre TV Digital

TV Digital Terrestre: desafios e reconfiguração da televisão brasileira é o curso que a Unisinos, através do CEPOS – Grupo de Pesquisa “Comunicação, Economia Política e Sociedade", oferece 24 de outubro a 21 de novembro em formato EAD, através da plataforma Moodle.

Pela programação (abaixo), parece muito interessante.
Por falta de tempo, não farei, mas recomendo (e espero notícias...).
Atenção: o curso não é gratuito, como disse antes, custa R$350, um investimento razoável para quem tiver interesse no tema.

Inscrições e mais informações, aqui.

Programa:
- Tecnologia e padrões digitais.
- Estratégias televisivas na era digital.
- Convergência tecnológica e empresarial.
- Desafios e concorrência entre emissoras.
- Comunicação e esfera pública.
- Multiprogramação e produção de conteúdos locais.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Links no fim da semana

Estão aí algumas das páginas bacanas que visitei esta semana.
(Quem sabe este tipo de post não vira um hábito?)

- 10 reasons why newspapers won't reinvent news

- Compra online do livro Cultura da Convergência, de Henry Jenkins, recém-lançado pela editora Aleph.

- Rogério Christofoletti faz um belo post sobre a (tão chata quanto necessária) discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas.

- RIP: Remix Manifesto, um documentário sobre a cultura do remix.

- UOL de home nova - detalhes num infográfico (que está mais pra slideshow, mas deixa pra lá).

- TimeRime, uma site para criar linhas do tempo (vi no recém-descoberto blog da Miriam Salles).

terça-feira, outubro 14, 2008

Diferença entre blogs e wikis: ferramenta ou propostas?

À primeira vista a resposta para a questão acima parece simples.

Um blog é uma ferramenta que pertence a um ou mais autores, responsáveis pela publicação dos posts cujo conteúdo pode ser complementado por comentários de visitantes ou expandido por links repercutindo o tema.

Um wiki, por outro lado, baseia-se na redação coletiva de um texto, e ainda que seja um espaço de interações, exige que tente-se chegar a um consenso sobre o tema em questão, já que não faz sentido manter duas ou mais páginas sobre o mesmo (é por isso que o Knol, por exemplo, pouco tem a ver com a Wikipédia).

Dois posts que li recentemente nos ajudam a questionar o "determinismo tecnológico" que norteia os conceitos acima:

O GooseGrade, apresentado pelo Tiago Dória, é um widget que, mediante cadastro, qualquer pessoa possa editar os posts de seu blog. O foco são "pequenos" erros factuais, gramaticais ou de digitação, avisados ao autor via e-mail para aprovação ou não. Podemos pensar num uso mais amplo e intenso, o que, como o próprio Tiago observou, aproximaria o blog de um wiki. (O recurso já pode ser acessado à esquerda deste blog - fique à vontade para propor edições!)

No Online journalism Blog, Paul Bradshaw contou a experiência do jornal britânico Trinity Mirror, que lançou um wiki (wikinortheast.co.uk) para "cobrir todos os aspectos" da região de North-East (ou seja, um projeto hiperlocal). Mas, na visão de Bradshaw, há um problema: "é muito difícil encontrar algo para editar". Vários textos estão "prontos", sendo que alguns, retirados dos arquivos do jornal, simplesmente não podem ser alterados. Resta ao usuário adicionar, e não editar o conteúdo. Resultado: "um híbrido wiki-blog".

Voltando à questão inicial: até que ponto a ferramenta (pura e simplesmente) condiciona o funcionamento de um projeto na web? Abrir ou fechar, restingir ou liberar parecem-me cada vez menos associados às condições tecnológicas e sim às propostas comunicacionais.

Concorda?

segunda-feira, outubro 13, 2008

Wiki sobre a web2.0 brazuca. Participe!

Louvável iniciativa do Juliano Spyer: um wiki para compilarmos as iniciativas e pessoas ligadas à web 2.0 no Brasil. Como ele afirmou, "é difícil colaborar se a gente não se conhece".

Só se cadastrar no Pbwiki e editar. Já dei os primeiros pitacos por lá.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Sobre a barriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

Desde que o Caio me mandou o link, estou aqui matutando sobre a "barriga" que o site colaborativo IReport e, por tabela, a CNN tomaram com a divulgação de um suposto infarto sofrido por Steve Jobs na última sexta.

Para quem não se lembra o IReport é um site auto-denominado jornalístico que permite a publicação de um conteúdo sem aprovação prévia pela CNN, sua proprietária. Veja a tradução do "manifesto" bancado pela emissora no post CNN: fim da mediação jornalística? (leia também os comentários, abundantes graças à repercussão da Ana Brambilla).

A informação foi publicada pelo usuário Johntw (já eliminado do site), em sua primeira participação. Ficou apenas 20 minutos no ar, o suficiente para espalhar via blogs e microblogs uma onda especulativa - o blog Silicon Alley Insider faz uma interessante retrospectiva do processo viral, que repercutiu inclusive no valor das ações da Apple.

Este mesmo blog, aliás, foi um dos que repassou a informação equivocada e, num outro post, justificou a decisão de repassar a informação sem confirmá-la. Um trecho interessante:
We knew that our readers would want to know about the story and evaluate it for themselves. So we did what we did what we usually do in such cases: We published a post describing the iReport story and noted that, true or false, this was a big moment for citizen journalism.
A informação foi alterada quando uma fonta da Apple desmetiu o fato. Deveria o blog ter tirado esperado a confirmação do fato antes de publicá-lo? Eles mesmos respondem e se defendem:

Most of our readers were grateful that we drew their attention to the iReport story and very grateful when we reported that the story was false. A small, vocal minority, however--including some members of the mainstream media--believe we should have waited to comment on the iReport story until we had heard back from Apple.

We respectfully disagree.

(...)

Sometimes this information is fact. Sometimes it is rumor or scuttlebutt. Sometimes it is speculation. Always it is information that we believe is credible or interesting enough to bring to our readers' attention.

Quer dizer: na avaliação dos editores do blog Silicon Alley Insider (e de tantos outros que repercutiram o fato), rumor e especulação também são informações.

Isso para o jornalismo é grave.

Pergunto:

onde estão os profissionais?

Se todos querem agir como usuários comuns (com os do IReport), quem vai mediar as relações informacionais?

Como alguém pode afirmar que o "jornalismo cidadão" falhou (como disse Publishing 2.0) em seu "primeiro teste significativo" se eles mesmos não fizeram jornalismo, pelo com rigor mínimo que ainda diferencia esta prática de outros modelos de produção de conteúdo?

Outra pergunta levantada: o fato arranha a imagem e a credibilidade da CNN?

Para Sarah Perez, do ReadWriteWeb, e Tiago Doria, sim.

Acho que a CNN valhou ao rotular seu site como jornalismo colaborativo.

É um site de conteúdo gerado pelo usuário (UGC), onde as falhas são normais e esperadas.

Esta é, aliás, a reflexão do artigo The Problem with Citizen Journalism, do Poynter Online (via Fábio Malini).

Estranha-me, repito, a viralização irresponsável do relato por profissionais e a condenação das práticas colaborativas.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fim do editor? (ou do diagramador???)

Estou aqui intrigado, estarrecido até a partir do post Nova rotina de produção jornalística pode acabar com a função de Editor, publicado no blog do GJOL.

Segundo o relato de Marcos Palacios (o link original está quebrado), a rede de jornais Express vai implementar uma rotina de automatização no fechamento dos jornais impressos (diagramação por templates, por exemplo) que implicará na demissão de 80 editores do Daily Express e Sunday Express, entre outras publicações britânicas.

Atualização em 03/10 - a matéria do Guardian está aqui - obrigado, Thiago. Vale então uma tradução do trecho do documento "Mudando a maneira de trabalhar", direcionado aos jornalistas do grupo:
Estamos propondo uma pulicação direta das matérias no sistema pelos repórteres. As páginas seriam concebidas pelo backbench(?) e desenhada pelos designers, como hoje. Os reporteres teriam uma "fôrma" para os textos, com as fontes e estilos pré-definidos, e encaixariam o material neste modelo.

Finalizado, os repórteres e redatores checariam o formato usado, o texto seria editado pelo pelo "newsdesk" e uma equipe de revisores/editores escreveriam as manchetes e fariam as mudanças necessárias. Os advogados do turno da noite (!) checariam as histórias, como já fazem hoje.
Agora está parecendo que estão esvaziando mesmo é a função do diagramador!)

Bem, se esta for uma tendência, só posso dizer que não estou entendendo mais nada.

Se há algo que venho defendendo nos últimos anos, é que a função de editor ganhará fôlego na era da produção jornalística abundante (e mesmo redundante, via agência de notícias) e/ou colaborativa (edição compartilhada, em alguns casos).

Mesmo se for um programador de algoritmos editoriais (conceito que pretendo desenvolver em breve), como no Digg ou Overmundo, o jornalista continua sendo um mediador, ou editor.

Alguém concorda (ou discorda)?